As portas que abrimos: uma reflexão sobre 2020

Vimos muitas portas se fecharem em 2020 – as portas de nossos lares, de nossas capelas, de nossas escolas. E enquanto os meses passavam, muitas pessoas viam portas de oportunidade fecharem totalmente, e o otimismo também era esquecido do outro lado.

Talvez agora seja o melhor momento para aprender a ser, como Ralph Waldo Emerson sugeriu, “um abridor de portas”.

E acredito que o primeiro passo ao seguir as instruções de Emerson seja acreditar que há portas de oportunidade disponíveis para todos nós.

Uma fria manhã de março

Para começar, vamos voltar na manhã que se provou ser meu último dia normal como aluna na Utah State University.

Acordei em uma quarta-feira, no início de março, tentando me animar para uma caminhada fria até o campus

Quando chegasse, eu teria minhas aulas, faria meus trabalhos e me exercitaria no centro de recreação.

Nada na minha agenda era desagradável, mas também não era nada emocionante, apenas previsível.

Antes de abrir a porta para sair, pensei em fazer uma pausa e orar. Ainda com a mochila nas costas, me ajoelhei por provavelmente menos de 15 segundos.

Quando me levantei, de repente tive um sentimento de gratidão pela minha vida. Eu me senti mais leve. Mais feliz. Por alguns segundos, apenas fiquei ali tentando descobrir por que eu me sentia tão bem.

Nada específico veio à minha mente, então abri a porta da frente, agora animada para fazer aquela caminhada pela milésima vez.

Ainda fazia frio, mas o brilho do sol foi o que me chamou a atenção. Quando me juntei ao enxame de alunos que caminhavam até o campus, não consegui deixar de olhar pouco mais nos rostos ao meu redor.

Percebi que cada rosto tem uma história. Senti que estava caminhando com pessoas importantes e fascinantes.

Do topo da colina, o campus parecia mais bonito do que no dia anterior. Senti aquela emoção de passear por uma bela cidade como turista, quando tudo é emocionante só por estar ali.

Este era o campus que eu havia percorrido nos últimos quatro anos, mas parecia tão empolgante quanto no dia em que o visitei quando era uma caloura.

Na aula de Ciência Política, prestei atenção a e gostei. Naquele dia, aprender sobre os procedimentos de política externa do meu país foi um privilégio.

A gratidão que senti era inegável. Era como se houvesse um filtro de felicidade durante o dia todo. Tudo era para ser apreciado. Amado. Enfeitado.

Minha vida simples e previsível como estudante universitária de repente era um sonho que se tornou realidade.

No final daquele dia feliz, quase mágico, os alunos receberam um e-mail informando que as aulas seriam totalmente online por tempo indeterminado.

O centro de recreação (meu local favorito no campus) fechou logo depois. Então a formatura foi cancelada. E, eventualmente, todo o resto.

Sem saber, abri minha porta da frente naquela manhã para o meu último dia “real”. E, conscientemente, Deus abriu meus olhos para reconhecer a emoção de viver. Meus sentimentos de gratidão não eram aleatórios.

E se tudo acabar?

Como os cancelamentos se arrastaram pelos próximos 10 meses, me apeguei àquele dia de gratidão. Aquele dia foi como uma promessa de que Deus sabe o que está acontecendo.

Durante todas aquelas mudanças, me peguei repetindo uma frase que um amigo dissera casualmente em uma conversa sobre nossos planos para o verão: “As portas se abrirão. As portas se abrirão”.

Em maio, me formei na faculdade, o que foi emocionante, mas também intimidador, especialmente durante o estresse de uma pandemia.

Não tenho certeza do porquê, mas comecei a visualizar minha vida como pulsações na tela de um monitor cardíaco.

Cada pico anterior no monitor havia sido disparado por um evento ou conquista em minha vida.

Formatura do Ensino Médio – bipe. Entrar na Utah State University – bipe. Visitar a Europa— bipe. Servir missão – bipe. Me formar na faculdade – bipe.

Por um momento tive medo que os bipes parassem. Nada mais aconteceria e eu teria uma linha figurativamente plana.

Todo o trabalho que tive não valeria nada, e eu voltaria para casa, desempregada e perdida.

“As portas se abrirão” foras as minhas palavras contra tais pensamentos.

Eu disse isso para me lembrar que nem sempre sabemos as coisas boas e as oportunidades que surgem em nosso caminho.

“As portas se abrirão” foi meu lembrete para trabalhar e viver como se fossemos destinados a realizar algo grande um dia, mesmo agora não possamos ver.

Mais do que simplesmente otimismo

Em dezembro encerrei meu estágio na revista A Liahona. Enquanto eu e os outros estagiários nos preparávamos para sair, assistimos (virtualmente, é claro) a uma apresentação de um dos editores assistentes das revistas da Igreja, Ryan Jensen.

A apresentação de Ryan se chamava “Portas”. Começamos assistindo a uma apresentação de slides com fotos de 10 ou mais portas diferentes.

Então Ryan voltou e explicou um pouco sobre o que cada porta significava para ele.

Descobrimos que estávamos olhando para a porta da primeira casa dele e de sua esposa, a porta de uma capela que ele havia ido durante sua missão em Paris, a porta da casa de férias favorita de sua família e assim por diante.

Então Ryan abriu a Bíblia em João 10. Agora, ou eu acidentalmente pulei esse capítulo durante toda a minha vida ou talvez o Pai Celestial o estivesse guardando para que eu aprendesse com ele no momento certo.

Para minha surpresa, João 10:7 diz: “Tornou, pois, Jesus a dizer-lhes: Em verdade, em verdade vos digo que eu sou a aporta das ovelhas”.

E então o versículo 9 diz: “Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, salvar-se-á, e entrará, e sairá, e achará pasto”.

Ryan testificou que Cristo é a porta para um futuro brilhante. Ele pode fornecer um meio de caminharmos até calmas pastagens.

Fiquei em choque. Meu pequeno mantra realmente tinha uma escritura que o apoiava? Eu deveria ter imagina que algo que foi edificante e útil para mim, tinha um vínculo com o Salvador.

Depois da apresentação de Ryan, senti que era vista. Acreditar que as portas se abrirão não é apenas otimismo.

Jesus Cristo torna isso realidade! Estudei mais e encontrei Apocalipse 3:8 que diz: “Eu conheço as tuas obras; eis que diante de ti pus uma porta aberta, e ninguém a pode fechar”.

Nenhum homem, mulher ou pandemia pode fechar a porta para os planos que o céu tem para nós.

Esperar pela porta certa

Meu coração dói por pessoas cujas portas para oportunidades significativas parecem se fechar repetidamente, mas não podemos desistir.

Se quisermos encontrá-las, Cristo nos guiará até a porta certa. E podemos nos surpreender com o que está do outro lado.

O Élder Gary E. Stevenson disse: “Ele pode abrir portas e nos ajudar a encontrar forças e habilidades que nunca soubemos que tínhamos”.

Aqui está um exemplo rápido e feliz que achei muito útil para ter esperança:

No ano passado, minha amiga se formou na faculdade e não conseguiu encontrar emprego. Ela estava trabalhando em uma loja de roupas femininas, mas se sentiu frustrada e presa pela falta de oportunidade.

Então, ela e seu esposo se voltaram para o Senhor em busca de ajuda. Eles jejuaram por uma oportunidade de trabalho significativa.

Alguns dias depois, minha amiga soube de uma vaga de emprego como professora de inglês em uma escola secundária local.

Ela se formou em literatura inglesa, mas não em educação. Mesmo assim, ela se candidatou para a vaga.

Duas semanas depois desse jejum, ela conseguiu um cargo de professora em tempo integral e planeja conseguir seu certificado de professora.

Uma porta se abriu e ela entrou.

Eu sei que nem sempre funciona assim, mas acho que há poder em acreditar que às vezes funciona.

Como abrir as portas

Naquele fatídico dia de março, abri a porta do meu apartamento para um dia que me fortaleceria por meses. Desde então, fico surpresa com as portas que continuam a se abrir para mim.

E acredito que as portas se abrirão para você também. Portas para a compreensão, portas para a cura, portas para o sucesso.

Por meio de Cristo, elas continuarão a abrir até que tenhamos percorrido todo o caminho de volta ao nosso lar celestial, onde todos iremos achar “pasto”.

Nosso trabalho é acreditar que as portas aparecerão, trabalhar com esperança até que isso aconteça e, então, ser alguém que abre portas!

Em minha humilde opinião, uma das escrituras mais consoladoras de todos os tempos é 3 Néfi 13:32: “Porque vosso Pai Celestial sabe que necessitais de todas estas coisas”.

Ele sabe que você precisa de um emprego, um carro, um lugar para morar, pessoas para amar e ser amado. E eu não acho que seja maluquice pensar que Ele irá nos ajudar a chegar lá.

Fonte: LDS Living

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